Primeiro foram os protestos contra a derrubada de Ungdomshuset (literalmente, 'a casa dos jovens') - um tradicional espaço cultural vendido para um grupo cristão extremamente conservador -, agora é a vez do "território livre" de Christiania. O que vem acontecendo em Copenhague é ignorado pela imensa maioria da grande imprensa européia e não vem recebendo grande atenção de entidades como Human Rights Watch ou Anistia Internacional. Durante duas semanas, em março, a polícia dinamarquesa prendeu mais de 750 pessoas - a maior parte sem qualquer base legal - e decretou um tipo de "estado de sítio" em duas regiões da cidade, onde pessoas poderiam ser revistadas e interrogadas inclusive sem serem suspeitas de nada. Chegaram a esvaziar uma prisão no centro da cidade para enfiar os jovens presos em protestos (140 deles, estrangeiros, foram enviados de volta aos seus países). A polícia acabou admitindo ainda ter usado um tipo de gás lacrimogêneo potencialmente letal, capaz de alastrar-se por entre vãos de portas e janelas. Imagine se fosse na América do Sul, ou mesmo em Paris, onde um carro arde e em minutos as fotos já estão em sites de notícias mundo afora.
A escalada do conservadorismo (aliado à extrema-direita do Partido Popular Dinamarquês) na vizinha Dinamarca é pouco comentada na Suécia. As TVs e os jornais mostram imagens dos confrontos na cidade, mas fica tudo simplesmente parecendo coisa de jovens ligados a grupos de esquerda. Ontem, os protestos recomeçaram em Christiania, onde o governo tem planos de derrubar as casas e revitalizar a área, garantindo a permanência dos atuais moradores mas com a condição de que paguem aluguéis em preços de mercado (ainda que negue interesses de especulação imobiliária na decisão...). A notícia no Jyllands-Posten (aquele mesmo jornal conservador que publicou as caricaturas de Maomé) era sobre um manifestante ter atirado urina na polícia. Uma boa maneira de se manter informado sobre o que se passa na Dinamarca é o blog Súbela, que ainda por cima é uma boa maneira de praticar galego (mais próximo do português que o espanhol).
Ah, ainda em tempo de fazer mais uma queixa: Repórteres Sem-Fronteiras também ignora solenemente o que vem se passando no reino vizinho. No início desse ano, o primeiro ministro dinamarquês, Anders Fogh Rasmussen, acusou a TV pública DR de manipular informações e pediu uma investigação interna sobre o trabalho de alguns funcionários, irritado com um documentário que revelou que forças dinamarquesas no Afeganistão entregaram 31 prisioneiros aos Estados Unidos e ocultou a informação do parlamento, assim como o fato de os prisioneiros terem sido torturados pelo exército americano. Ainda que seja precipitado dizer que a Suécia está indo pelo mesmo caminho, o crescimento da extrema-direita, principalmente no Sul do país (mais próximo à Dinamarca), é preocupante. Mas isso é assunto para outro post.
A escalada do conservadorismo (aliado à extrema-direita do Partido Popular Dinamarquês) na vizinha Dinamarca é pouco comentada na Suécia. As TVs e os jornais mostram imagens dos confrontos na cidade, mas fica tudo simplesmente parecendo coisa de jovens ligados a grupos de esquerda. Ontem, os protestos recomeçaram em Christiania, onde o governo tem planos de derrubar as casas e revitalizar a área, garantindo a permanência dos atuais moradores mas com a condição de que paguem aluguéis em preços de mercado (ainda que negue interesses de especulação imobiliária na decisão...). A notícia no Jyllands-Posten (aquele mesmo jornal conservador que publicou as caricaturas de Maomé) era sobre um manifestante ter atirado urina na polícia. Uma boa maneira de se manter informado sobre o que se passa na Dinamarca é o blog Súbela, que ainda por cima é uma boa maneira de praticar galego (mais próximo do português que o espanhol).
Ah, ainda em tempo de fazer mais uma queixa: Repórteres Sem-Fronteiras também ignora solenemente o que vem se passando no reino vizinho. No início desse ano, o primeiro ministro dinamarquês, Anders Fogh Rasmussen, acusou a TV pública DR de manipular informações e pediu uma investigação interna sobre o trabalho de alguns funcionários, irritado com um documentário que revelou que forças dinamarquesas no Afeganistão entregaram 31 prisioneiros aos Estados Unidos e ocultou a informação do parlamento, assim como o fato de os prisioneiros terem sido torturados pelo exército americano. Ainda que seja precipitado dizer que a Suécia está indo pelo mesmo caminho, o crescimento da extrema-direita, principalmente no Sul do país (mais próximo à Dinamarca), é preocupante. Mas isso é assunto para outro post.
2 comentários:
Todo certo o que contas.Dinamarca cheira moi mal ultimamente. A merda, xenofobia, fascismo e brutalidade policial.
Máis só unha cousa: o blog está en galego e en castelán, non só en galego.
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