A letra C do alfabeto sobre a Suécia é sobre um político. Carl Bildt está para a política externa sueca como Henrik Larsson para o futebol: o sueco mais famoso e respeitado. Ele é uma espécie de Fernando Henrique Cardoso, aquele sujeito que não fala, atesta. Suas declarações são raramente contestadas e soam como verdade absoluta. Mas a comparação não pára aí. Assim como FHC, Bildt também pode circular no meio dos grandes estadistas do planeta e eles vão parar para ouví-lo com atenção. Após ter sido primeiro ministro sueco no início dos anos 90, pelo Partido Conservador, Bildt virou o representante da União Européia e, em seguida, da ONU nos Balcãs. Foi o trabalho por lá que fez sua fama de diplomata mundo afora. Bildt voltou à política sueca no fim do ano passado ao ser empossado ministro das relações exteriores pelo novo governo conservador. Mas, desde então, um outro lado de Bildt tem vindo à tona: o do investidor envolvido com o que há de pior no mundo dos negócios. Carl tinha participação num fundo de investimento numa empresa petrolífera russa que quer construir um oleoduto no fundo do já poluído Mar Báltico - algo que o governo sueco, do qual ele faz parte, é totalmente contra. Seus negócios também incluíam participações numa empresa petrolífera sueca com atividades no Sudão e no Comitê para Libertação do Iraque, um grupo que fez intensto lobby junto a George W. Bush e fabricantes de armamentos pela invasão do Iraque. Bom lembrar que as comparações com FHC já pararam há muito tempo. Por incrível que pareça, porém, a imprensa sueca em geral pegou bastante leve com Bildt e vários editorias em sua defesa foram publicado. Um provincianismo danado, tipo "Carl é coisa nossa!". Para um país onde muita gente se orgulha de ter uma democracia das mãos mais limpas do planeta, parece ser difícil entender e aceitar as mãos sujas de óleo do bom e velho Carl.
terça-feira, 20 de março de 2007
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